ARTIGO

Não à PEC 241!

Há fatos que, efetivamente, doem mesmo. Um deles, é a vulgarização; outra, é a tentativa de manipular conceitos – legítimos –, transformando-os em conceitos de Nação.

Dói ouvir o governo federal dizer que está fazendo como as famílias, como se um governo fosse igual à família. Falam como se administrar contas de uma Nação, de um Estado ou de um Município fosse igual à administração de uma família. Dói ouvir isso, porque é uma manipulação grosseira. Mas, mais do que isso, é uma deseducação que, aqueles que assim se manifestam, proporcionam ao povo.

Sei que ninguém de nós acredita que seja possível, permanentemente, uma Nação gastar mais do que arrecada. Ninguém de nós pensa que isso é possível. Não é isso que pregamos. Aliás, é importante dizer que nos últimos 20 anos, a economia do Japão não apresentou em um único ano superavit público.

Nos últimos 20 anos, os Estados Unidos não tiveram superavit público em mais do que um ano, e a poderosa Alemanha – prestem atenção – teve superavit em apenas cinco dos últimos 20 anos.

Pois bem, o que fizeram essas nações quando ocorreu a crise de 2009, que está na origem das dificuldades que o Brasil enfrenta neste momento?

Os dados são extremamente eloquentes. Os Estados Unidos, no ano 2009, tiveram um deficit de 11,9% do PIB; o Reino Unido, de 10,9%; o Japão, de 8,8%. Em 2010 – e a crise aconteceu em 2008 –, o deficit americano foi de 11,4%; o do Reino Unido, da Inglaterra, foi de 10,1%; e, do Japão, de 8,4%. Em 2011 – portanto, no terceiro ano após a crise –, o deficit dos Estados Unidos foi de 10,2% do PIB; do Reino Unido, 8,3%; e do Japão, 9,9%.

Agora, pasmem, de que deficit estamos falando no Brasil – que veio tendo superavit em todos os anos, praticamente até o ano 2015? Em que volume de deficit estamos falando? Aqui, lembrei: Estados Unidos, 11,9% do PIB, em 2009. De que deficit falamos no Brasil? De um deficit público de 1,88%, em 2015, e que pode atingir os 2,16% em 2016. Por conta disso, querem amarrar o País por 20 anos?

Pergunto ao povo que está-nos vendo: é melhor um salário mínimo de 880 reais ou um de 400 reais? Pois se vigesse, há 20 anos, a PEC nº 241, ele seria de 400 reais.

É melhor o Brasil poder investir 110 bilhões em saúde ou 45 bilhões de reais? Pois seria de 45 bilhões apenas o investimento do governo federal em saúde com essa PEC vigendo. É melhor o Brasil investir 110 bilhões na educação ou investir 35 bilhões de reais? Pois seria de apenas 35 bilhões de reais com essa PEC.

O povo, daqui, da Região Metropolitana, abriria mão da duplicação das BRs 448, 101 e 386? O povo, daqui, da Região Metropolitana, abriria mão do trem até Novo Hamburgo ou das grandes obras de saneamento que estão sendo feitas em todos os Municípios? O povo, que não tem casa, abriria mão das milhões de moradias do Minha Casa Minha Vida?

Pois é isto que estão dizendo: que o povo brasileiro não pode mais sonhar com o futuro; que o povo brasileiro não pode mais ter expectativa de um País melhor, por conta de uma estupidez, de uma mesquinharia, de um governo ilegítimo e de partidos políticos.

É importante repetir: os Estados Unidos arcaram, em 2009, com um deficit de 11,9% do seu PIB, em 2010, com 11,4% e, em 2011, com 10,2%. O governo americano comprou a GM para evitar a perda dos empregos. O governo americano estatizou a GM. O governo americano injetou dinheiro nos bancos, e, aqui, pretende-se estrangular a economia e o futuro. É disso que estamos falando, quando nos referimos à PEC 241.

Portanto, essa mobilização a que referi das escolas técnicas federais é só o início. Conversava hoje com um professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e lhe perguntava se a UFRGS já estava em greve, e ele me disse: “Ainda não, mas vai entrar”. E ele usou uma expressão com a qual concordo plenamente: “Com esse estado de sítio fiscal, não tem futuro para nós”.

Com essa estupidez de um governo ilegítimo e de partidos que não têm a grandeza, é isso que acontecerá. Acusem o PT dos erros que cometeu, mas não cometam o crime de negar ao País o seu futuro. Não cometam o crime de expor o nosso futuro a essa mesquinharia de comparar um orçamento público a um orçamento de uma família! Não façam isso, porque nem mesmo as famílias, quando querem comprar um carro ou uma casa, nem mesmo aí, elas deixam de se endividar! O País tem o direito de se endividar, assim como uma família também necessita, em muitos momentos, fazê-lo.

Agora, dizer que um deficit 1,5% justifica amarrar o futuro do País, quando os Estados Unidos tiveram a coragem de operar com um deficit de 11,9% para sair da crise, aí, já é mesquinharia demais; já é apequenamento demais; já é submissão excessiva ao sistema financeiro; é entregar a alma e qualquer resquício de paixão pelo futuro ao sistema financeiro!

Então, por favor, arrumem argumentos melhores, mas não façam essa maldade. Não comparem um orçamento e gestão públicos a um orçamento doméstico de uma família. É uma mentira grosseira e verdadeiramente um desserviço à Nação!

Tarcísio Zimmermann, Deputado Estadual

 

 

Publicado em 24/10/2016 às 12:03

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