GRANDE EXPEDIENTE

Zimmermann presta homenagem aos 50 anos

do Teatro de Arena

Ronaldo Quadrado

Ronaldo Quadrado

O deputado Tarcísio Zimmermann (PT) homenageou os 50 anos do Teatro de Arena, completados em outubro passado, no Grande Expediente da sessão plenária desta quarta-feira (28). A homenagem acontece um dia depois da comemoração do Dia Mundial do Teatro, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “Um dia para homenagens e reconhecimento, mas também concebido como um espaço de reflexão e diálogo sobre o fazer dessa arte, reinventada todos os dias pela obstinação, energia, criatividade e espontaneidade dos artistas. Uma arte que resiste mesmo nas situações mais angustiantes da falta de recursos ou dos avanços conservadores que ameaçam as liberdades”, ressaltou o parlamentar.

Zimmermann fez referência especial ao ator, produtor, diretor e militante da cultura Jairo de Andrade, cuja trajetória de “obstinação, resistência e combate político-cultural” se confunde com a história do Teatro de Arena. Jairo de Andrade “tornou-se o principal nome gaúcho do teatro de resistência à ditadura militar nos anos 1970. Lutava pela democracia e contra a censura e se identificava profundamente com a concepção de arte de Bertolt Brecht para quem “não ser de nenhum partido significa ser do partido dominante”.

O petista traçou um panorama histórico da criação do Teatro de Arena a partir de 1962, quando Andrade chegou a Porto Alegre para cursar Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Ao formar-se, se somou às colegas Alba Rosa e Araci Esteves para criar o Grupo de Teatro Independente. O sonho da sede própria tornou-se possível com a descoberta de uma área abandonada no subsolo de um edifício na subida do viaduto Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre. E foi nesse local que os próprios atores construíram, em seis meses, o teatro, aproveitando material de construção recolhido em obras da cidade”, rememorou.

O marco inicial, em outubro de 1967, foi O Santo Inquérito, de Dias Gomes. Desde então, o pequeno teatro, com 120 lugares, tornou-se palco de peças de Bertolt Brecht, Jean-Paul Sartre e Peter Weiss e dos brasileiros Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, Oduvaldo Vianna Filho, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.

Zimermann destacou que, além da preocupação estética, o grupo sempre teve compromisso político. “O enfoque político estava expresso nos textos escolhidos, nos debates realizados, na identificação com o pensamento democrático e de esquerda, na aproximação com as entidades estudantis e na solidariedade aos artistas perseguidos”, apontou.

Perseguição durante a ditadura

O engajamento na luta contra a ditadura, segundo Zimmermann, cobrou um duro preço ao Arena. “Além da ausência de qualquer fonte pública de subsídio, sua linha de trabalho ficou na mira da censura e da repressão policial. Após as montagens de Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre, e de Os Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, em outubro de 1968, pouco antes da decretação do Ato Institucional 5, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) ameaçou explodir o teatro. Durante a temporada de Os Fuzis, o Arena foi invadido por tropas do Exército, em busca das armas utilizadas no espetáculo. Jairo foi preso e torturado para que confessasse a origem das armas, na verdade, carcaças de fuzis emprestadas pela Brigada Militar”, historiou.

Em 1971, o ingresso de Marlise Saueressig inaugurou uma nova fase do Teatro de Arena. “No entanto, o endurecimento da repressão, obrigou Jairo, que à época estava vinculado ao Partido Comunista do Brasil, a sair de Porto Alegre. Junto com Marlise, percorreu o Brasil promovendo cursos de expressão corporal e espetáculos em vários estados, o que, inclusive, conferiu-lhes um reconhecimento nacional entre os artistas engajados na luta democrática”, lembrou.

Em 1974, retornaram a Porto Alegre e montaram a peça À Flor da Pele, espetáculo que alcançou sucesso de crítica e bilheteria, garantindo os recursos para a compra do teatro. Em meados dos anos 1970, o Teatro de Arena transformou-se em espaço de reuniões políticas, especialmente da campanha pela anistia. Na mesma época, foi criado o Grupo Dramático Açores, que ofereceu oportunidade para uma geração de novos artistas, diretores e produtores, entre os quais Ida Celina, Luciano Alabarse, Carlos Cunha, João Pedro Gil, Mauro Soares, Pedro Santos e Mirna Spritzer. “Porém, as dívidas cresceram e a situação se tornou insustentável, levando ao fechamento do teatro em 1980. Jairo de Andrade relatou a situação dramática enfrentada pelo Arena: “Cortaram a luz do teatro e do apartamento. A Marlise pegou as crianças e disse: ‘eu vou embora’. Eu fui atrás”, contou Zimmermann.

O parlamentar enfatizou que o fim de “uma intensa e apaixonada fase” não acabou com o Arena, que havia plantado sólida referência no cenário cultural do estado e do país. Em setembro de 1988, graças à mobilização de artistas e intelectuais, o teatro foi considerado de utilidade pública, encampado pelo governo Simon ao patrimônio do Estado e incorporado à Secretaria Estadual da Cultura. E, em 1991, a reforma do prédio foi concluída.

Centro de pesquisa e documentação

Atualmente, o Teatro de Arena abriga o Centro de Documentação e Pesquisa em Artes Cênicas – Espaço Sônia Duro, com um acervo de mais de 2 mil textos dramáticos e livros, além de uma videoteca. “Sabemos que o horizonte cultural hoje, como ontem, novamente enfrenta os desafios do obscurantismo e da ausência de prioridade para o apoio à cultura, que faz com que nem mesmo o cargo de diretor do Arena esteja preenchido no atual governo. Mas também sabemos que os sonhos e a paixão pela liberdade, pela alegria, pelo entendimento e por uma humanidade melhor, hoje, assim como ontem, não se deixarão vencer. Encerro esse pronunciamento lembrando novamente as proféticas palavras de Fernanda Montenegro: “ninguém segura o movimento de sobrevivência do ser livre, do ser luminoso, que é quem faz a vida existir de forma quente, sanguínea, fraterna”, finalizou o parlamentar.

Os deputados Manuela D´àvila (PCdoB), Stela Farias (PT), Catarina Paladini (PSB), Pedro Ruas (PSOL) e Regina Becker Fortunati (Rede) também se manifestaram por meio de apartes.

No final do grande expediente, a filha de Jairo Jorge, Rosaura Andrade, recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha em nome do pai, e Marlise Saueressig recebeu a Medalha da 54ª Legislatura. A cerimônia foi acompanhada por integrantes do Arena e artistas gaúchos.

Fonte: Agência de Notícias ALRS, texto de Olga Arnt (MTE 14323)

 

 

Publicado em 28/03/2018 às 17:35

Fonte: Agência de Notícias ALRS, texto de Olga Arnt (MTE 14323)

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