BANRISUL

Governo não consegue esclarecer as

transações sobre a venda das ações do banco

Ronaldo Quadrado

Ronaldo Quadrado

O governo tergiversou, ou seja, se evadiu e deixou dúvidas ao tentar responder os questionamentos apresentados por parlamentares da Bancada do PT, quando foram analisadas as vendas de ações do Banrisul promovidas em abril deste ano. As indagações foram apresentadas durante a reunião da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (24) pela manhã, ao presidente do Banco, Luiz Gonzaga Mota e ao secretário estadual da Fazenda, Luiz Antônio Bins. As suspeitas sobre as transações ficaram evidentes porque, por várias vezes, os deputados petistas tiveram que repetir indagações aos representantes do governo.

Um dos questionamentos feito pelo coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, deputado Zé Nunes (PT), foi se o governo pretende privatizar o Banco, após vender uma quantidade significativa de ações da forma como efetivou as vendas, inclusive sem qualquer aviso ao mercado ou à população gaúcha. A resposta do secretário da Fazenda foi a de que não há intenção em privatizar, mas a resposta não convenceu a Bancada do PT. Zé Nunes alegou que a venda de ações ordinárias do Banrisul, ou 0,73% do capital social total, fez com que a participação do Estado do Rio Grande do Sul no capital social total do Banco passasse de 50,62% para 49,89%.

Para Zé Nunes, em termos de governança corporativa, eficiência e moralidade pública, a falta de transparência dessas vendas, especialmente, agora que sabemos a identidade de um importante comprador (Brasil Plural), mostra grandes falhas na governança do processo. Permanece, conforme o parlamentar, a dúvida sobre a inter-relação entre a BTG Pactual e Brasil Plural. “Se a Brasil Plural é intermediadora de 65% das ações ou compradora não faz diferença. Há uma compra majoritária das ações entre as duas empresas num percentual de mais de 71%. Isso é uma suspeita que cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigar e que já está sendo feito”, elucidou o parlamentar.

Também com muitas dúvidas, o deputado Tarcísio Zimmermann (PT) afirmou que o Governo Sartori (PMDB) está depreciando os ativos do estado, a partir do discurso da crise. Disse que “este é o pior momento para fazer qualquer venda de ações e, se o Banrisul tivesse feito a venda em maio, depois do anúncio do seu balanço financeiro com lucro, teria estimulado os compradores e garantido preços maiores no valor das ações. Isso não ocorreu”.

Outro fato questionado por Tarcísio na reunião foi a contratação da corretora do Banco BTG Pactual para intermediar a venda das ações. “Por que não foi utilizada a corretora própria do Banrisul”, questionou. A mesma indagação partiu do deputado Adão Villaverde (PT), que ainda a respeito da escolha da Pactual chamou a atenção da presidência do Banco a respeito do fato do então diretor de Relações com Investidores, Ricardo Hingel ter sido diretor Regional do Banco BTG Pactual, entre abril de 2010 e dezembro de 2011, e que, em 13 de abril deste ano, Hingel foi transferido para a direção de Recursos de Terceiros, um fato anormal em meio a um importante processo de venda de ativos.

A venda das ações ter ocorrido de surpresa (dia 27 de abril, uma sexta-feira), em um mercado com pouquíssima movimentação, foi considerada pelo deputado Villaverde como uma surpresa. “É muito estranho”, ponderou o parlamentar, “num mercado com até então pouquíssima movimentação, uma instituição resolver adquirir 66% da oferta pelo preço mínimo, sendo que esta mesma instituição (Brasil Plural) possuía vínculos indiretos com o intermediário (BTG Pactual) e com o diretor do Banrisul”.

Muitas coincidências

O deputado Tarcísio disse haver muitas coincidências em todo esse processo e desfavoráveis ao Banrisul. “Tem couro de jacaré, tem rabo de jacaré e não é jacaré? Têm muitas coincidências estranhas nesse processo. Evidente que depois de toda a confusão armada pelo Banco as ações teriam que cair”, explicou. Para o parlamentar, quem é que vai comprar ações de um banco que está sob este nível de dúvida da sua operação? Têm muitas coincidências que desfavorecem a lisura deste processo?”.

Já o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) insistiu em apenas um fato: “Por que que o Banrisul, tendo uma corretora, foi contratar uma corretora privada? E foi contratada a BTG Pactual, cujos ex-diretores são membros da Brasil Plural. Essa foi a denúncia apresentada pelo Sindicato dos Bancários (Sindbancários). Aliás, a pouco tempo o presidente da BTG saiu da cadeia”, lembrou Mainardi.

Deputados do PT presentes à reunião lamentaram não poder ouvir os questionamentos e explicações sobre todo esse processo de venda de ações do Banrisul por parte dos representantes do Sindbancários e da Federação dos Bancários.

Ao analisar o resultado da audiência, o deputado Jeferson Fernandes (PT), que integra a Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, citou a audiência da qual participou na CVM, no Rio de Janeiro (RJ). “No Rio, fomos levar questões sobre a legalidade na venda das ações. Os negócios feitos pelo Governo do Estado, neste caso, deixam muitas dúvidas. E no que diz respeito ao Banrisul, somos contrários à política de desmonte do banco promovidas pelo governo.”

Jeferson avaliou que, nitidamente, foi uma sessão de constrangimento para os representantes de Sartori – secretário da Fazenda e presidente do Banrisul. “Essas explicações o Banco tem que dar tanto para a CVM, quanto para o Ministério Público e para o Ministério Público de Contas (MPC). Na reunião, ele disse que há novos elementos trazidos para a Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa. Como exemplo, citou a compra de ações que, em um momento, dizem que a BTG comprou e em outro que não e que os compradores foram os clientes. Enfim, “o maior patrimônio público do estado (Banrisul) está sendo fatiado para fazer caixa para esse governo conseguir custear a reta final de sua gestão”.

Texto: Roger da Rosa (MTE 6956)

 

 

Publicado em 24/05/2018 às 17:35

Texto: Roger da Rosa (MTE 6956)

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